segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ctrl C + Ctrl V #2

FL.
Já notou como as mulheres que têm cabelos ou unhas compridas são apegadas a isso? Quando eu era mais nova, tinha um cabelão que chegava até as covinhas do bumbum e quando cortei (acima do ombro) todo mundo falou “COMO VOCÊ TEVE CORAGEM???” — Ora, cabelo cresce. Se eu me arrependesse, era só esperar e ele voltaria ao normal.
(E nessa eu descobri que me amo de cabelo curto e ainda que sou uma ~militante~ do cabelo curto. Basicamente, o que eu penso é que se a mulher é bonita, ela será ainda mais bonita de cabelo curto. Se ela é normal, ela será bonita com o cabelo curto. Resumindo: você de cabelo curto é a versão 2.0, sem erros, bugs e tudo consertado.)
A mesma ideia eu já aplicava às minhas unhas. Já notou como as mulheres vaidosas adoram ter unhas compridas? Eu era dessas, vivia deixando o máximo possível. Mas de vez em quando eu resolvia cortar. E nem era porque tinha alguma quebrada, era só porque deu vontade. Aí vinha a trupe do “MAS COMO VOCÊ TEM CORAGEM??” — Gente, é só unha. Nossos dedos fabricam isso, lembra?
E aí fiquei pensando no apego que a gente tem com essas coisas que são tão renováveis. Tem vários produtos no mercado pra fazer os cabelos não terem pontas duplas, para que você não PRECISE cortar. Enquanto produtos pra cabelo curto temos… ZERO. Porque cabelo curto é fácil, é prático e não dá trabalho nenhum. A gente fica numa neura tão grande de cultivar o cabelo como se fosse uma horta que esquece das coisas que realmente precisam de apego: amizade, companheirismo, amor.
Quantas vezes você disse algo pro seu amigo que o magoou? Quantas brigas com o namorado? Quantas discussões com os pais? Mas com isso a gente não tem apego, a gente se apega ao cabelo, à unha, ao bronzeado, ao “peso ideal”. A diferença é que essas coisas a gente pode recuperar, mas o sentimento não tem cola. Não existe uma fabriquinha desses sentimentos dentro das pessoas que amamos. Quando você decepciona, decepciona pra valer.
Parece que pra gente tem sido mais fácil passar a tesoura na amizade do que no cabelo. O cabelo cresce, se rejuvenesce e vai crescer ainda mais saudável. Cortar o cabelo faz bem, deixa ele brilhoso e com vida. Cortar a amizade é como jogar veneno: ela vai morrendo, morrendo, morrendo, até que ela evapora de uma vez. E aí rola aqueles momentos de “O que foi que eu fiz? Tudo parecia tão bem…”. Tudo parecia bem pra você, que estava passando a tesoura. E quem lidou com as suas grosserias, com as pisadas na bola, com o descaso que você teve? Você esqueceu de cultivar a amizade e agora ela murchou.
Exercite o desapego nas coisas que se renovam, e cultive o que é único. Não o contrário! (PS: não é porque você “teve coragem” de cortar o cabelo curto que agora é imune a pisar na bola com os amigos, hein?

(Texto "Como você teve coragem?" do blog Depois dos Quinze, o Ctrl C+ Ctrl V serve para que eu possa registrar textos de outros lugares que de alguma forma tem um significado pra mim, esse texto não poderia expressar melhor o que eu sinto. Então é isso, beijos Gi.)

                                          

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