segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Do dia: Sinto.



                                                   
doía em mim ter que escrever, por necessidade ou algo do tipo, e não conseguir. eu não tinha o que falar quando me deparava com uma barrinha piscando no monitor do computador. eu sentia um vazio atravessando meu estômago e invadindo o meu cérebro. o coração contraía, como se bombear fosse uma tarefa árdua demais. eu estava sozinho e achava que escrever necessariamente precisava ser sobre alguém. mas descobri que em alguns momentos da vida que a gente tem que esquecer as outras pessoas do universo e notar que existe outras coisas esperando desesperadamente para serem vistas. coisas que são importantes, coisas que sempre estão ali quando ninguém mais está. o meu computador, quando me sinto horrível demais para sair de casa, por exemplo. a minha cama que já segurou minha barra quando estava pesada demais para me manter em pé. meu travesseiro que já abafou tantos choros meus que já sabe meus sussurros de cor. o mundo é enorme. e as pessoas são o mínimo dele. principalmente aquelas que nos magoam. essas são quase imperceptíveis. somos nós que maximizados suas existências, tornando assim o sofrimento numa escala quase infinita, quando na verdade a gente só está precisando fechar os olhos e sentir o mundo. esquecer pouco o passado e andar pra frente, num movimento retilíneo uniforme. porque até a física nos ajuda quando a química dá toda errada.
-j.

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